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Serra do Montejunto
Em Memorial do Convento, José Saramago refere diversas vezes o Montejunto, pois foi na serra do Barregudo, perto do Monte Junto, que a passarola de Bartolomeu de Gusmão teve de aterrar, depois de sobrevoar a vila de Mafra (“Isto aqui é a serra do Barregudo, lhes disse um pastor, e aquele monte além… é Monte Junto.”). É daí que o padre Bartolomeu desaparece e é aí que vão Baltasar e Blimunda tratar da conservação da máquina: “Vai Blimunda tomando nota do caminho na sua memória, aquele monte, aquela mata, quatro pedras alinhadas, seis colinas em redondo, as vilas como se chamam, foi Codeçal e Gradil, Cadriceira e Furadouro, Merceana e Pena Firme, tanto andámos que chegámos, Monte Junto, passarola.” (p. 268).
Infopédia
Serra de Montejunto
A Serra de Montejunto é um miradouro natural mais alto da Estremadura, elevando-se a 666 m de altitude. Esta estrutura geológica, com 15 km de comprimento e 7 km de largura, é rica em algares, grutas, lagoas residuais, necrópoles e fósseis pré-históricos. Situa-se no norte do distrito de Lisboa, entre os concelhos do Cadaval, a norte, e Alenquer, a sul.
Em Montejunto existem as ruínas de dois conventos: um mais antigo dominicano, do século XII, e outro que não chegou a ser concluído. Os monges do primeiro, aproveitando as condições climáticas da serra, construíram tanques onde recolhiam gelo que depois enviavam para Lisboa. É por este motivo que Montejunto é também conhecida por serra da Neve. Esta indústria perdurou até 1885. A pouca distância das ruínas do convento, ficam as Ermidas da Senhora das Neves, do século XIII e de São João, revestidas de azulejos.
Secos ramos
Nos altos ramos
“Nos altos ramos de árvores frondosas
O vento faz um rumor frio e alto,
Nesta floresta, em este som me perco
E sozinho medito.
Assim no mundo, acima do que sinto,
Um vento faz a vida, e a deixa, e a toma,
E nada tem sentido — nem a alma
Com que penso sozinho. “
Autor-Ricardo Reis
Casebre
“Não insista na dor (por favor!)
Na amargura, no sofrimento
Não sofra para mais sofrer
Não se entregue ao tormento!…
O que passou, agora, já passou!…
Se não tem volta, pra que chorar? (deixa pra lá!…)
Retorne com esperança à estrada
Para novos caminhos ela vai levar (tem que confiar!)
Não fique aí parada olhando para trás
Nem se entregue ao lamento
Trace metas, siga em seu rumo
A vida está em movimento!…
E vai ver que sofrimentos são lições
Que a vida sempre vai nos dar.
Procure aprender com cada uma delas
E seja feliz… sem deixar de sonhar! “
Autora – Mena Moreira
Real Fábrica do Gelo – Montejunto

O complexo da Real Fábrica do Gelo foi considerado por inúmeros especialistas internacionais “como um caso único pela originalidade das suas estruturas e pelo razoável estado de conservação”.
Divide-se em duas áreas distintas: uma destinada à produção do gelo e a outra, que dista para Sul cerca de 100 metros, destinada à sua reparação, armazenamento e conservação.
A área destinada à produção é, actualmente, constituída por dois poços (com cobertura recente) para captação da água; uma casa onde eram accionadas as noras e que servia de armazém; um tanque principal para recepção da água; e 44 tanques rasos onde era realizada a congelação da água.
Em plena Serra de Montejunto
No silêncio da serra
Um dia descia a Serra
Enquanto descia,
ia a sonhar…
Era pastora da terra
Via da Serra o luar
A lua maior que a terra
O sonho maior que o ar
Os pastores na pastorícia
Os carneiros a desbastar
Todos os males da terra
Não poderiam acordar
As flores nasciam da guerra
Brotando no meu olhar
Até as árvores floresciam
Não as podiam queimar
Até Seia fiz magia
No silêncio do meu olhar
Pois o homem não existia
Para a floresta devastar
Ali os animais cresciam
A água embalava a cantar
Um passarinho bebia
A paisagem ganhava ar
E eu perdida no monte
Descia a serra a brincar
Fonte – OGR3/lusopoemas
Interior do convento dos dominicanos
( Walter Benjamin )







